Quantos significados uma simples folha de papel pode ter? Para os artistas praticantes de origami, as respostas para essa pergunta são infinitas.

Embora seja difícil precisar quando surgiu a ideia de dobrar o papel em diversas formas, muitos consideram que a prática seja tão antiga quanto sua matéria-prima. Os primeiros relatos da fabricação do papel surgiram na China, em 105 a.C. e, de lá, o material e a técnica se espalharam para outros países, incluindo o Japão, onde estima-se que tenha chegado perto do ano 610. Inclusive, é do Japão que vem a origem do nome, uma mistura das palavras ori, que significa dobrar e kami, que significa papel.

O que antes era uma arte voltada a cerimônias religiosas, como casamentos, tornou-se cada vez mais popular no país e em 1797 surgiu o “Senbazuru Orikata”, primeiro livro com instruções para as dobraduras. A partir do século XIX o origami passou a ser ensinado nas escolas japonesas, tornando-se uma atividade recreativa e também educativa.

Mesmo com tantos anos de tradição, o origami continua se reinventando. Um dos responsáveis pela diversidade de formas que conhecemos hoje é o artista Akira Yoshizawa, considerado o pai do origami moderno.

Apesar de gostar das dobraduras desde criança, Yoshizawa só pode se dedicar totalmente à sua arte quando era mais velho. Aos 26 anos, ele chegou a desistir de seu trabalho em uma fábrica para viver como origamista, porém, não obteve reconhecimento e ficou na pobreza, vendendo temperos para sobreviver por 20 anos.

Sua carreira só decolou em 1952, quando a revista Asahi Graph lançou uma reportagem com fotos de seus trabalhos, incluindo um ensaio com dobraduras representando os 12 signos do zodíaco. Foi ele quem criou a técnica chamada “wet folding”, ou dobradura úmida, que consiste em molhar levemente o papel antes de dobrá-lo.

Essa inovação torna o papel mais maleável, o que permite criar figuras mais arredondadas, embora o artista precise tomar ainda mais cuidado, pois o material se torna mais frágil. Yoshizawa criou milhares de formas e livros ensinando o passo a passo de cada dobradura. Através de seu trabalho, Akira conseguiu transformar o origami em uma arte reconhecida não apenas no oriente, mas em todo o mundo.

Anos depois de sua morte, em 2005, novos artistas continuam aprimorando essa tradição. Um deles é o vietnamita Hoang Tien Quyet, adepto do wet folding. Quyet começou a praticar origamis ainda criança, mas só passou a desenvolver um estilo próprio quando conheceu o origamista Giang Dinh, outro adepto do wet folding, através do Vietnam Origami Group.

Em seu site, Quyet disponibiliza dicas de como reproduzir seus trabalhos e também é coautor de dois livros, em parceria com membros do Vietnam Origami Group. Seus origamis chamam a atenção pela precisão de detalhes e criatividade das formas.

“Eu gosto de trabalhar com ideias novas e sempre tento colocar vida e a minha personalidade em meus modelos. Eu espero que as pessoas também consigam sentir isso a partir do meu trabalho”, afirma Quyet em seu site.

Conheça aqui algumas das formas que consagraram Quyet e desafiam ainda mais os limites do origami.

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