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Cidades Conectadas

Com o nível de desenvolvimento científico atingido pela humanidade tornou-se impossível imaginar o futuro sem tecnologia, mas a verdade é que o presente já está conectado além do que a ciência proporciona. Teóricos como Manuel Castells e Zygmunt Bauman afirmam que já vivemos em uma sociedade em rede onde tudo muda muito rápido, o que acaba se manifestando por meio de cidades modernas.

Desta forma, é possível refletir o que torna uma cidade realmente moderna? O nível de tecnologia usado em suas instalações públicas? A possibilidade de desenvolvimento de startups, presença de universidades e empresas voltadas à inovação? Disponibilidade de internet para todos? O equilíbrio com o meio ambiente? Para as cidades conectadas, a resposta passa por esses temas e vai além.

Em 2016, o relatório Networked Society City Index, produzido pela sueca Ericsson em parceria com a consultoria especializada em desenvolvimento sustentável Sweco, analisou o que cidades do mundo inteiro estão realizando para se adaptar a essa nova realidade. As cinco primeiras do ranking – Estocolmo, Londres, Cingapura, Paris e Copenhague – estão adotando diferentes estratégias de acordo com o que necessitam para se adaptar a essa nova realidade.

A capital sueca, reconhecida por ser uma das cidades com maior qualidade de vida no mundo, compreende a tecnologia como um bem público, ao qual todos devem ter acesso. Um dos destaques que a trouxe à liderança no índice é o acesso praticamente universal à rede de fibra ótica, controlada por uma empresa estatal como se fosse qualquer outro tipo de infraestrutura, o que também explica o grande número de startups sediadas na cidade – algumas de renome internacional, como o serviço de streaming de músicas Spotify.

A preocupação dos suecos com o meio ambiente também se traduz em inovação. Além das tradicionais bicicletas, utilizadas por metade da população, Estocolmo está testando o uso de ônibus elétricos que conseguem recarregar as baterias enquanto esperam no ponto. O projeto faz parte de uma meta maior: o objetivo é eliminar o uso de combustíveis fósseis até 2030, em um esforço para desenvolver a cidade em equilíbrio com a natureza. Mas essa não é a única estratégia para garantir um futuro melhor. As escolas da cidade, conhecidas por sua excelente qualidade começaram a ensinar programação de computadores como disciplina, o que faz com que as crianças tenham contato com a tecnologia desde muito cedo.

A segunda colocada, Londres, é uma cidade cuja tradição fala por si. Mas apesar de seus séculos de história, a capital britânica está longe de ter ficado presa ao passado. Atualmente, entre as 30 startups “unicórnios” da Europa, 11 estão localizadas à beira do Tâmisa.

Na região leste da cidade está localizado o Roundabout, terceiro maior centro de empresas de tecnologia do mundo, que vem revitalizando a região e atraindo cada vez mais investimentos. Um dos destaques é o segmento de fintech, que tem a vantagem de contar com a tradição local em finanças.

Já no distrito de Greenwich está o projeto GATEway, em que veículos autônomos são testados em ambientes controlados, na busca de mais uma solução de transporte para uma capital conhecida por seu eficiente sistema de metrôs, mas que ainda sofre com a qualidade do ar causada pela emissão de poluentes.

As autoridades estudam incentivar ainda mais a proliferação de empresas do setor criando uma agência governamental específica para tecnologia. A prefeitura inclusive já iniciou as buscas para a contratação de um responsável pelo setor de tecnologia do município.

Em terceiro lugar, está Cingapura, que vem passando por um intenso programa de desenvolvimento desde os anos 80. O programa Smart Nation, lançado em 2014 pelo governo da ilha, foca em cinco setores de essenciais para o desenvolvimento: transporte, habitação e meio ambiente, saúde, produtividade e serviços públicos.

Além de investimentos em áreas tradicionais, como desenvolvimento e pesquisa, o governo planeja abrir os dados públicos, fomentando a transparência da gestão. Entre outras iniciativas inovadoras está o conjunto habitacional Yuhua, que inclui ferramentas tecnológicas dentro das residências e também no bairro para monitorar serviços como coleta de lixo, eletricidade e água. Dentro de casa, os habitantes contam com dispositivos que auxiliam no cuidado com idosos e também podem testar ferramentas em primeira mão, colaborando com os desenvolvedores no aperfeiçoamento dos dispositivos.

Paris, a quarta colocada, também aposta no incentivo governamental e na participação de empresas, indústrias e moradores. A capital francesa aderiu ao programa “Market Place of the European Innovation Partnership on Smart Cities and Communities”, que visa conciliar o desenvolvimento tecnológico e humano, valorizando a importância das cidades para o continente europeu.

Entre as áreas priorizadas pelos parisienses, transporte e energia lideram. A cidade planeja criar um circuito energético renovável, em que as fontes de energia se complementam e são medidas junto com outros equipamentos públicos para tornarem-se as mais eficientes possíveis.

Esse conceito de integração pode ser visto no Station F, maior espaço de trabalho coletivo para startups do mundo, que inclui apartamentos residenciais, restaurantes, centro de esportes, correios, espaços para eventos e centros de entretenimento.  O local, apoiado pela iniciativa privada, deve ser inaugurado ainda em 2017 e acredita na cooperação internacional como princípio, atraindo desde o início empresas estrangeiras como o Facebook.

Voltando para o extremo norte, Copenhague, a quinta colocada, aposta no planejamento urbano para definir o estilo de vida dinamarquês nas próximas décadas.  A ideia é construir um novo eixo de desenvolvimento apoiado na construção de uma linha de metrô, com o objetivo de conectar cidades vizinhas da região metropolitana, interligando bairros em vez de gerar conexões somente entre subúrbios e centro.

Novamente, a integração entre moradores, iniciativa privada e governo está na base do projeto e é a base para ideias como linhas de produção sustentáveis, modernização de estruturas para torná-las ecologicamente corretas e mobilidade urbana baseada em princípios ambientais.

Mesmo para as líderes na área, o caminho para cidades completamente sustentáveis, que privilegiem a qualidade de vida de seus moradores e gerem desenvolvimento econômico ainda é árduo. Não existe uma receita única ou fórmula mágica que dê conta de realidades tão distintas, mas a solução parece estar justamente na conexão entre ideias, pessoas e projetos: exatamente como uma sociedade de redes deve ser.

A fina arte de Ola Shekhtman

Precisão, delicadeza, mãos firmes e olhar afiado. Não são poucas as qualidades necessárias para se tornar um exímio ourives, profissão artesanal que usa metais preciosos para esculpir verdadeiras obras de artes. Ao longo da história, os primeiros registros desse tipo de trabalho são datados de 2500 a.C.. Já na Idade Moderna, período que compreendeu os séculos XV e XVIII, esses artistas ocuparam posições prestigiadas por reis e monarcas.

Hoje, com a ajuda da tecnologia, essa profissão perdeu parte de seu glamour, mas, ainda assim, existem pessoas que lutam para manter o lado arcaico da ourivesaria. Exemplo disso é a ourives siberiana Ola Shekhtman. Foram anos de estudo em São Petersburgo, na Rússia, para aprender e desenvolver técnicas específicas para esse tipo de arte. Depois, já morando em Nova York, Ola decidiu estudar modelagem 3D e, durante esse processo, teve uma ideia simples, porém única.

A artista começou a fabricar anéis com o formato de grandes metrópoles do mundo, desenhando pontos turísticos e famosos de cada cidade. Todo o processo é feito a mão, apenas o protótipo é desenvolvido em uma impressora 3D. Depois, Ola derrete a pepita de ouro, ou o cristal de prata, para começar o processo de modelagem por meio da prática da martelagem, que serve para talhar o bloco de ouro.

Em seguida, quando a peça já está em seu formato arredondado, pequenos elementos são soldados. Para isso, é preciso usar ferramentas de precisão, já que a solda não deve ser aparente. Por último, com a joia já modelada, começa a fase de refinamento, em que a peça é limada para perder rebarbas e excessos, e polida para aumentar o brilho.

Muitas cidades já foram retratadas por Ola. O modelo do Rio de Janeiro, por exemplo, feito especialmente para os jogos olímpicos de 2016, mostra, além do Cristo Redentor, a Catedral de São Sebastião, os arcos da Lapa, a câmara municipal da cidade, a Cinelândia e o Largo do Boticário. Já o modelo de Barcelona mostra obras do arquiteto Antoni Gaudí, como a casa Batlló, a casa Milà, e a casa Calvet, além da Igreja Sagrada Família.

Além das mais de dez cidades que estão disponíveis na loja virtual da artista, Ola também faz modelos com nomes de banda, e joias completamente personalizadas, para aniversários, casamentos e outras datas especiais. Infelizmente, Ola ainda não criou outros modelos de cidades brasileiras, mas ainda assim vale conhecer o trabalho da artesã.

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