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O Museu da Internet

Confira abaixo os capítulos da história da internet.

ARPANET

Advanced Research Projects Agency Network foi o nome que o Departamento de Defesa dos Estados Unidos encontrou para o projeto que tinha como objetivo proteger a comunicação dos militares norte-americanos durante um possível ataque soviético nos anos da Guerra Fria. Desenvolvida em 1969, a ARPANET, que tinha como berço o Pentágono, conectava todas as bases do exército e os departamentos de pesquisa do governo americano.

Logo no início dos anos 70, diversas universidades dos Estados Unidos pediram permissão para ter acesso ao conjunto de comunicação dos computadores e, assim, a ARPANET começava a receber os primeiros computadores civis em sua rede. Já em 1975, existiam cerca de 100 sites, acessados, em sua maioria, por militares, professores e estudantes. Com o rápido crescimento da ARPANET, no final dos anos 70, é originada a MILNET, que serviria exclusivamente para uso militar, enquanto o resto da rede tornaria-se pública e teria seu nome alterado para Internet, termo que surgiu como abreviação de internetworking.

Creeper

O primeiro vírus de computador foi desenvolvido em 1971, a princípio, como uma brincadeira. Chamado de “Creeper”, a intenção do programa era invadir computadores por meio da própria ARPANET e mostrar a mensagem “Eu sou o Creeper, pegue-me se for capaz!”, sem causar danos reais ao sistema. Ainda como parte da brincadeira, Ray Tomlinson, programador que ajudou na criação da ARPANET, desenvolveu o Reaper, que eliminava o Creeper dos computadores.

Emoticon

Acredita-se que o criador do Emoticon na internet tenha sido o americano Scott Fahlman. No dia 19 de setembro de 1982, o cientista da computação mandou um e-mail em que ele propunha que o símbolo : – ) fosse usado para distinguir sentenças sérias de piadas.

WorldWideWeb

Foi apenas na década de 90 que a internet começou a se popularizar. O grande responsável por essa disseminação foi Tim Berners-Lee, físico e cientista da computação britânico que ainda nos anos 80 procurou uma forma de facilitar o compartilhamento de documentos de pesquisas entre colegas. Assim, com ajuda do belga Robert Cailliau, a proposta de criar um gerenciador de informação foi ganhando força.

No dia 6 de agosto de 1991, a dupla, que trabalhava no CERN, centro de pesquisa nuclear europeu, publicou o primeiro servidor da história da internet, conhecido como http://info.cern.ch/, por meio do primeiro navegador para computadores, o WorldWideWeb, popularmente conhecido como www.

Em abril de 1993, o código do WorldWideWeb é disponibilizado ao público. O próprio site providenciava os códigos de programação e uma tutorial básica para que qualquer pessoa com um computador pudesse contribuir.

Google

Em 1996, dois doutorandos da Universidade de Stanford, na Califórnia, trabalhavam em um projeto para desenvolver um motor de busca que funcionasse de maneira diferente dos que já existiam na internet. Basicamente, ao contrário de priorizar os sites com maior números de buscas, os amigos Larry Page e Sergey Brin construíram um algoritmo para colocar no topo dos resultados os sites mais importantes. O site, inicialmente conhecido como BackRub, era hospedado na própria Universidade de Stanford. Pouco tempo depois, o nome foi alterado para Google, uma flexão da palavra googol, que representa o dígito 1 seguido de cem zeros. A mudança foi feita para reafirmar a quantidade de informação que os servidores do Google seriam capazes de armazenar.

Assim, em 4 de setembro de 1998 a empresa é fundada oficialmente e tem como sede a garagem de uma amiga em comum da dupla de gênios na cidade de Menlo Park, Califórnia. Após isso, a empresa contrata seu primeiro funcionário, Craig Silverstein, aluno de ciências de computação, também da Stanford. Ao fim deste ano, a gigante das buscas já teria 60 milhões de páginas indexadas, dez mil buscas por dia, e 1 TB de dados.

Com a chegada do novo século a empresa não para de crescer. Aos poucos, outras ferramentas do Google são desenvolvidas e se tornam imprescindíveis aos usuários, como  Google Tradutor, Google Maps, Gmail e Google Drive. Atualmente, o valor de mercado do Google, que pertence ao Grupo Alphabet, é estimado em mais de 380 bilhões de dólares.

Wikipédia

A Wikipédia surgiu de um enciclopédia online criada por Jimmy Wales e Larry Sanger. Chamada Nupedia, o projeto, lançado em 2000, não durou muito tempo, principalmente pela exigência dos editores por artigos de alta qualidade.

Em janeiro de 2001, os criadores da Nupedia decidiram fazer algumas alterações no projeto inicial e desenvolveram a Wikipédia. Wiki, que na língua havaiana significa rápido, é uma palavra usada para denominar sites construídos de forma colaborativa. No segundo mês do projeto, já existiam mais de 1.000 artigos. Em setembro de 2001, a enciclopédia online contava com mais de dez mil verbetes.

Desde então, a Wikipédia já esteve envolvida em muitos casos polêmicos. Por diversas vezes foi acusada por acadêmicos das mais variadas áreas por não oferecer informações confiáveis e de qualidade. Ainda assim, isso não impediu o projeto de alcançar, atualmente, 43 milhões de artigos em mais de 227 idiomas.

Facebook

Sem dúvida uma das histórias mais polêmicas da internet. No dia 28 de outubro de 2003, o então aluno da Universidade de Harvard, Mark Zuckerberg, criou em seu próprio dormitório o Facemash. O site comparava fotos de alunas para os alunos escolherem qual era mais atraente. Em apenas quatro horas de funcionamento o site recebeu 450 visitas e mais de 22.000 visualizações de fotos. Poucos dias depois do portal ir para o ar, executivos da Universidade de Harvard fecharam o Facemash e acusaram Zuckerberg de violação de direitos autorais, quebra de segurança e violação de privacidade, já que as fotos usadas no site foram roubadas dos computadores da Universidade. Ainda naquele ano, todas as acusações foram retiradas.

Já no início de 2004, Mark começou a escrever os códigos que seriam usados em uma nova rede social, chamada The Facebook. No dia quatro de fevereiro de 2004 a rede social foi lançada e, no fim deste mesmo dia, existiam cerca de 1500 usuários registrados. Como retrata o filme de 2010, A Rede Social, apenas alguns dias após o lançamento da rede, três alunos de Harvard, Cameron Winklevoss, Tyler Winklevoss e Divya Narenda, acusaram Zuckerberg de ter roubado o conceito do que seria o HarvardConnection.com.

Em 2005, quando a rede social havia eliminado o The e se chamava apenas Facebook, já existiam usuários nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, México e Irlanda. No entanto, era necessário estudar em uma Universidade para conseguir um convite. Apenas em setembro de 2006 o registro no Facebook foi liberado para qualquer pessoa com mais de 13 anos e uma conta de e-mail.

Atualmente, o Facebook é proprietário do Instagram, serviço de compartilhamento de fotos, e do WhatsApp, serviço de mensagens instantâneas. Além disso, o Facebook conta com 1 bilhão de usuários ativos, sendo assim a maior rede social do mundo.

YouTube

Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karim, empregados do PayPal, foram os responsáveis por criar o domínio do site youtube.com, exatamente no dia 15 de fevereiro de 2005. No dia 23 de abril foi publicado o primeiro vídeo da plataforma. Chamado de “Me at the zoo”, o vídeo de apenas doze segundos mostra Jawed Karim passeando em um zoológico. Em maio desse mesmo ano, seis meses antes do lançamento oficial, uma prévia foi oferecida ao público.

Rapidamente a plataforma chamou atenção do Google e, em outubro de 2006, o YouTube foi vendido por 1,65 bilhões de dólares, se tornando, na época, a segunda maior aquisição do Google.

Atualmente, a plataforma de vídeos conta com versão oficial para mais de 88 países e, fora isso, estima-se que existem mais de 500 milhões de vídeos publicados.

 

Vidas Coordenadas

Representar o espaço é uma necessidade humana. Seja por funções técnicas, como compreender a extensão de domínios e os recursos naturais de uma área, ou até mesmo simbolizar a maneira como esses povos enxergavam a realidade. Desde as civilizações mais antigas, o mapa de rota tem acompanhado grandes transformações da humanidade, tornando-se registros importantes de nossa evolução.

Um dos períodos mais importantes da história da cartografia são os séculos XV e XVI, época das grandes navegações. Os mapas do chamado Novo Mundo reproduziam não só o relevo da região e rotas para chegar a ela, mas funcionavam como verdadeiros roteiros das impressões dos exploradores que se aventuravam desafiando concepções e rompendo tabus, como a ideia de que a Terra era plana.

Não por acaso, o nome do novo continente tornou-se uma homenagem a um destes homens, o italiano Américo Vespúcio. Ao todo, Vespúcio realizou três viagens da Espanha até a América. Na última, percorreu a costa do Brasil desde a Bahia até Cananéia, em São Paulo, e, devido à distância, se convenceu de que aquelas eram novas terras, em vez de um prolongamento da Ásia.

Seus relatos levaram o cartógrafo alemão Martin Waldseemüller a elaborar um novo mapa, o primeiro a incluir o novo continente e a chamá-lo de América. A partir de então, a América passou a ser mapeada por seus colonizadores, que ampliavam os registros cartográficos conforme expandiam seus domínios.

Naturalmente, em épocas como essa, não havia a tecnologia necessária para que os mapas fossem precisos e fieis como atualmente. Além disso, o mapa de rota era mais um elemento do jogo de interesses dos países, que muitas vezes gostavam de representar seus territórios maiores do que realmente eram.

A ciência também se misturava com os estilos de desenhos, por isso, mapas que ilustravam a fauna e a flora eram decorados envolvendo muitos ornamentos, como as iluminuras, tradicionais da Europa, conferindo a eles dimensões artísticas.

Os séculos seguintes mantiveram a tendência de valorizar as descobertas, com cientistas como o alemão Alexander von Humboldt obtendo fama com a divulgação de suas explorações de partes ainda inexploradas da América. Os mapas ilustravam as aventuras descritas nos livros que circulavam pela Europa, saciando a curiosidade de leitores ávidos.

Embora Humboldt, que viveu entre os séculos XVIII e XIX, não contasse com tecnologias como os satélites, o sistema de mapeamento já haviam melhorado significativamente, com o uso de técnicas matemáticas como escala e proporção, o que torna seus mapas mais exatos e verossímeis.

Com as grandes revoluções tecnológicas do século XX, os mapas foram revolucionados, tornando-se computadorizados e presentes nas mais diversas funções, principalmente devido ao uso de veículos.

Mas, mais do que fruto da técnica, mapas também são reflexos das sociedades que representam. Em um mundo permeado pela internet, onde há cada vez menos fronteiras entre o mundo real e o virtual, os mapas encontraram seu espaço muito além do universo dos aplicativos de direção.

Através da chamada tecnologia de geolocalização, que utiliza o sistema GPS para acompanhar a posição do usuário, surgiu uma nova lógica de mapeamento: a do compartilhamento de experiências entre pessoas conectadas.

A partir desta ideia, surgiram novos conceitos e maneiras de enxergar a convivência em grandes cidades, como a economia colaborativa, adotada por empresas como o serviço de transporte Uber ou o serviço de entrega de alimentos iFood.

Um representante brasileiro desta tendência é o aplicativo de classificados Skina. Nele, os usuários conseguem procurar produtos anunciados nas proximidades de sua atual localização, aproximando pessoas que, de outra forma, não saberiam que podem encontrar o que procuram em seu bairro. Uma oportunidade de negócios que poderia ser desperdiçada.

“Ao mesmo tempo em que é possível se conectar com pessoas do outro lado do mundo, muitas vezes não conseguimos fazer isso com nosso próprio vizinho. O surgimento da geolocalização permitiu que a tecnologia seja usada para essa conexão local”, comenta Gabriel Di Bernardi, Diretor de Marketing do Skina.

A tendência daqui para frente é a de que cada vez mais novidades surjam com o auxílio desta tecnologia, atendendo as demandas de praticidade, menores deslocamentos, reutilização e reciclagem de recursos, como afirma Gabriel.

“A gente acredita que ainda há muito a ser explorado nesse mercado. Quando um app usa a geolocalização, é uma ótima oportunidade de unir as preferências dos consumidores com a proximidade, assim conseguimos entender melhor o perfil de cada um e tratar suas necessidades”, disse ele ao Olhares do Mundo.

Prever os próximos passos da tecnologia é sempre instigante, mas também muito impreciso, afinal, cada vez mais os cientistas e engenheiros buscam nos surpreender. No entanto, é seguro afirmar que, seja qual for o futuro da geolocalização, de algum modo os mapas permanecerão presentes em nossas vidas, norteando o desenvolvimento e abrindo espaço para novos caminhos.

Tecendo tradições

Qual a diferença entre um objeto do cotidiano e uma obra de arte? No caso dos tapetes persas, esta linha tênue se perde entre os milhares de fios, e é impossível separar uma ideia da outra.

Usados ainda hoje na decoração, os tapetes persa têm uma tradição que remonta à Idade do Bronze na região da antiga Pérsia, atual Irã. Inicialmente, sua função era aquecer o chão das tendas, protegendo os habitantes do frio do deserto, mas, com o tempo, passaram a ter significados simbólicos, artísticos e até religiosos, muito além de sua função prática.

Os tapetes persas autênticos são produzidos de maneira totalmente artesanal pelas populações nômades do Irã, utilizando como matéria-prima a lã das ovelhas de seus rebanhos.

Depois de retirada da lã, ocorre o processo de tingimento, que utiliza corantes naturais encontrados na região, como flor de índigo, raiz de rubia e sulfato de cobre.

As lãs são tingidas em caldeirões com água fervente e corantes naturais por muitas horas, depois são expostas para secar ao ar livre. Em seguida, os fios são tensionados verticalmente no tear, formando a urdidura que, junto com os fios tecidos horizontalmente, a chamada trama, criam a base do tapete.

Na confecção também podem ser utilizados materiais nobres, como seda e fios de ouro ou prata, para criar o veludo, nome dado aos fios que são amarrados na base para criar os padrões do tapete. É esse trabalho que determina a riqueza da peça, pois quanto mais detalhados forem os padrões e quanto mais rente os fios forem cortados em relação à base, mais caros serão.

O trabalho de tecer os tapetes é tradicionalmente feito por mulheres, que os fabricam baseadas em padrões já estabelecidos ou desenhos originais. O processo pode levar anos, dependendo do tamanho do tapete, característica que também determina seu tipo.

Os motivos bordados também variam de acordo com a criatividade do autor, porém, como o islamismo proíbe a representação de figuras humanas e animais, os temas mais adotados são formatos geométricos e florais. Já os tapetes para uso religioso reproduzem o mihrab, nicho construído dentro das mesquitas que orienta as orações em direção à Meca.

Quanto mais decorados e mais complexos os padrões estabelecidos, mais tempo levará para o tapete ficar pronto, o que, consequentemente, aumenta seu valor. Sendo assim, era comum na antiguidade encontrar tapetes ricamente ornamentados, com fios de ouro e pedras preciosas, nas residências da realeza e de comerciantes ricos, pois eram também um sinal de status.

Cada uma dessas características sofre variações, desde o tipo dos nós do veludo até a intensidade de coloração, passando pelas estampas, o que faz com que seja impossível encontrar dois tapetes iguais.

Por isso, os tapetes são reconhecidos como um patrimônio cultural do Irã, através do qual é possível compreender a história do país e suas dinastias, além de ocuparem posição de destaque na arte islâmica.

Embora seu valor seja único, atualmente os tapetes sofrem com a concorrência de produtos industrializados e imitações, o que tem tornado difícil sua viabilidade econômica e o sustento das populações que ainda hoje encontram neles sua maior fonte de renda.

Isto mostra que, para apreciar a verdadeira beleza de um tapete persa é preciso compreender suas dimensões sociais, artísticas e culturais – elementos que apenas uma verdadeira obra de arte pode conter.