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Orquestra dos Vegetais músicos legumes

A Orquestra dos Vegetais

Subir os degraus de escadarias, admirar as obras de arte, apresentar os ingressos, passar pelas cortinas, chegar em um ambiente amplo, encontrar seus assentos e se acomodar. Logo depois, silêncio total. Uma melodia, talvez doce e calma, ou agitada e imponente, passa a preencher todo o salão. O espetáculo começa. Se você já assistiu a um concerto ao vivo, provavelmente passou por uma experiência muito similar a essa.

No entanto, para toda a tradição existe um protocolo a ser quebrado. Em Viena, um grupo levou a ideia de subverter as regras da música adiante e foi assim que surgiu a inusitada Orquestra dos Vegetais (The Vegetable Orchestra).
Como o próprio nome já indica, a orquestra se apresenta com instrumentos feitos com vegetais como abóboras, pepinos, cenouras, fabricados pelos próprios músicos a cada concerto.

O trabalho, baseado no conceito de música experimental, surgiu em fevereiro 1998. Na época, um grupo de amigos interessados em música experimental decidiu colocar a ideia em prática e descobrir o som dos alimentos. Eles foram escolhidos por estimularem também os outros sentidos, como o olfato e paladar e, claro, a criatividade.

Atualmente são onze músicos, um engenheiro de som e um produtor de vídeo na orquestra, e a própria equipe prepara os instrumentos antes de cada apresentação. Para garantir a qualidade do som, eles sempre se certificam de que os vegetais sejam frescos e os instrumentos são preparados pouco antes das apresentações.

As singularidades da orquestra dos vegetais não param por aí. O que sobra da produção dos instrumentos é transformado em uma sopa para os ouvintes saborearem ao fim do espetáculo, o que também diminui o desperdício de alimentos.

Já no que diz respeito ao som, a criatividade também é marca registrada da orquestra. Influenciados por artistas como Steve Reich, John Cage e a banda Kraftwerk, seus membros definem seu estilo musical como “vegetal, influenciado por música eletrônica contemporânea, música concreta, musica noise, música improvisada e pop”, de acordo com declarações registradas em seu site. Os artistas também não têm formação musical clássica, uma vez que são de outras áreas artísticas, o que também traz ainda mais referências e estilos ao trabalho.

Mas, por trás do processo criativo, existe uma estrutura bem organizada para reunir todas essas influências e ainda criar sons e instrumentos inovadores. Segundo a equipe, existe espaço para improviso eventualmente, porém suas músicas são pensadas anteriormente e escritas em partituras, como manda a tradição, para apresentar um estilo coeso aos ouvintes.

Por fim, a principal ideia transmitida pela orquestra dos vegetais é a de que qualquer coisa pode ser uma ferramenta para a música, basta direcionar o olhar para novas possibilidades. O grupo se apresenta em turnês pelo mundo e já há shows marcados em Luxemburgo para 2017.

Explore seus sentidos

O ideal de uma arte completa, que explore todos os sentidos, não é uma novidade. A busca pela integração entre as diversas modalidades artísticas é tão antiga quanto a criação da ópera, que mescla elementos do teatro e a da música, e está cada vez mais presente com o apoio da tecnologia, após o desenvolvimento de técnicas como filmes em 5D e jogos em realidade virtual.

Embora seja cada vez mais comum a confluência entre formatos, técnicas e conceitos, até o momento, tem sido raro encontrar ideias que valorizem ou mesmo estimulem tato, visão, olfato, audição e paladar ao mesmo tempo, considerando todos como parte integrante da mesma experiência individual e coletiva.

É com o objetivo de romper essa barreira e integrar ainda mais os sentidos de forma inovadora que a compositora, maestrina, escritora e chef de cozinha Ysanne Spevack criou o projeto “Yntegrity”, que também é uma tentativa de unir suas carreiras na música e na gastronomia em uma única exposição, com um toque de personalização.

 

A iniciativa envolve gastronomia, neurociência e música, em uma abordagem única. Na estreia da exposição, em Nova Iorque, a temática escolhida para o pontapé inicial foi a felicidade. Ao longo da performance, os elementos são cuidadosamente combinados para integrarem-se entre si e ao ambiente, tornando-a o mais sinestésica possível.

O paladar, que não costuma ser abordado em instalações artísticas, dessa vez tem papel de destaque. Os pratos são preparados cuidadosamente utilizando conceitos como alimentação orgânica, livre de açúcar, com origens locais, vegana e são decorados de acordo com a proposta, buscando sintonia com a obra do artista Uncle Riley – colaborador de Ysanne no projeto – e com a música ambiente fornecida por um coral ao longo do jantar.

Assim como a interpretação da arte é única para cada pessoa, o “Yntegrity” traz a neurociência como forma de personalizar ainda mais o momento, avaliando os níveis de felicidade e os sentimentos de cada participante.

O novo conceito não poderia ser mais pertinente a esta época, envolvendo o engajamento físico, emocional, social e artístico das pessoas, despertando sensações intensas e criando memórias únicas como apenas a arte pode fazer.

zadar som mar croácia praia

ZADAR E O SOM DO MAR

Na Croácia, um órgão natural reproduz, literalmente, o som do mar. Conhecido pelos nativos como “Morske Orgulje”, o experimento musical foi construído na cidade de Zadar, ao longo da orla do mar Adriático. O projeto do arquiteto croata Nikola Bašić foi inaugurado em 2005 e tem cerca de 70 metros de comprimento.

O funcionamento é simples: uma escada de mármore branco cobre os tubos de polietileno que saem do mar e vão até uma cavidade ressonante, responsável por gerar o som. O vento e a batida das ondas empurram o ar através do tubo que reproduz um som aleatório, mas harmônico. Naturalmente, a maré influencia diretamente no espetáculo, que costuma ser assistido diariamente por turistas e por moradores que adoram passar o horário de almoço por lá. Além disso, placas solares armazenam energia durante o dia para, de noite, apresentar um show de luzes juntamente com o som do mar.

No entanto, o gigantesco instrumento musical não foi feito apenas para movimentar o turismo. A cidade de Zadar, uma das mais antigas do mundo, tem um histórico de destruição e violência. Já foi invadida por bárbaros, gregos, romanos, húngaros, austríacos e otomanos. Durante a Quarta Cruzada (1202-1204), foi saqueada pelos católicos. Também foi ocupada por italianos e alemães nas duas grandes guerra. Na Segunda Guerra Mundial, serviu de centro territorial para a Aliança do Eixo e, por isso, foi fortemente bombardeada pelos aliados entre novembro de 1943 e outubro de 1944. Isso fez com que cerca de 60 por cento da cidade fossem destruídos. De 1991 até 1995, durante a Guerra de Independência da Croácia, voltou a sofrer com bombardeios e massacres.

Desde então, o governo trabalha para reconstruir a cidade. A orla, bombardeada na Segunda Guerra, era apenas um grande muro de concreto. O órgão é principalmente uma forma da população se reencontrar com o mar, que é citado em documentos que datam de 7 a.C. como parte fundamental da cultura croata.

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