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Relações digitais

Se para gerações passadas enviar uma carta demorava dias, para nós, receber uma mensagem leva segundos. Não é preciso muito para perceber o modo dinâmico como, a cada ano, o mercado recebe novas ferramentas de comunicação que possibilitam, assim, a interação de inúmeras pessoas pelo mundo.

Como num piscar de olhos, smartphones, tablets e computadores ganham programas capazes de realizar vídeo chamadas, ligações simultâneas e envios de mensagens instantâneas; permitindo assim que, aos poucos, aquela distância que afligia familiares e amigos distantes logo se tornasse o menor dos problemas.

Ana, Carla e Rafael compartilham a experiência de viver à distância. Ao embarcarem em busca de seus sonhos, os três depositaram todas as suas fichas na expectativa de que, se existe alguma solução para a saudade, ela precisaria caber nas palmas de suas mãos. Para a Ana, a primeira ligação, via Skype, apresentou sua nova família. Seu novo país. Aos 24 anos, ela deixaria a sua casa para fazer parte da rotina de pessoas que não compartilhavam sequer o seu idioma.

Os planos começaram em 2012. O destino: Califórnia. O receio: a distância. “Quando cheguei aqui, minha mãe estava surtada. Ela estava com muito medo, chorando muito. Ela perguntava todos os dias se eu estava bem, se eu tinha comido, se a família que eu estava morando era legal e, principalmente, se me tratavam bem”.

Depois de usar várias chamadas de vídeo para apresentar a sua nova realidade, a ferramenta se tornou o principal meio de comunicação entre ela e a família. “Quando tem uma festa e está todo mundo reunido: chamada de vídeo. Quando aqui acontece alguma coisa muito boa e eu preciso compartilhar: chamada de vídeo. Eu inclusive fiz uma para mostrar onde eu estou, para verem o quarto onde eu moro e terem certeza que está tudo bem”.

Mesmo com a frequente comunicação, a mudança natural da relação foi inevitável. O passar dos meses, junto ao mover dos dias, apresentou uma realidade diferente, e um tanto inesperada, a ela. “Faz mais de um ano que eu estou morando aqui, e é nítida a diferença na relação de quando eu cheguei para agora”. No começo, o desejo era contar tudo. O tempo todo. Agora o silêncio é maior. “Na maior parte das vezes, quando eu pergunto o que acontece por aí, tudo está meio parado. Às vezes acho que ambos os lados começam a evitar perguntar”.

Há sete meses morando em Swords, na Irlanda, Carla vivenciou uma situação diferente. Ainda que o sentimento da saudade viesse à tona em meio ao frio da pequena ilha europeia, sua família optou por se distanciar nos primeiros dias, mesmo sendo difícil. “No começo o meu irmão falava pra minha mãe não me ligar, porque, sempre quando desligávamos, ela ficava com mais saudade ainda. Hoje já mantemos uma comunicação estável”.

No caso de Raphael Magalhães, a experiência de morar longe de casa ainda era recente quando percebeu que a comunicação com a família teria que ser diferente da esperada por eles. Ao ser contratado por uma Multinacional no estado de São Paulo, ele aceitou a condição de que, devido à rotina, sua principal companhia seria o próprio trabalho. A frequência de suas atividades e ocupações diárias fizeram, naturalmente, que a saudade de casa não gritasse tanto. Seus pais, por outro lado, precisariam de mais tempo para se acostumar com a ausência do filho. “Eu trabalho muito, então não consigo falar todos os dias. O que eu faço é, de três em três dias, separar um tempo para conversar com a minha mãe. Mas, ainda assim, ela quer me ligar muito, e nem sempre eu consigo atender”.

A cada seis meses ele se programa para viajar de São Paulo a Ceará. Com a chegada do Natal, os planos mudam completamente. “Essa período é muito complicado pra mim, porque eu queria passar a ceia lá. Mas as passagens são extremamente caras nessa época. Não tem muito o que fazer, sabe? Eu fico triste porque eu vou ficar só. Vou passar a noite sozinho aqui”.

Se, de certa forma, essas relações virtuais contribuem para a proximidade de familiares, o fim delas também representa um singelo distanciamento. Mesmo após diversas adaptações a nova realidade na Irlanda, Carla ainda sofre ao dizer a palavra “tchau”. O que para muitos é fácil, para ela é um tanto quanto difícil. “Enquanto estamos conversando um com outro, seja por mensagem ou por vídeo, é como se eles estivessem próximos. Você ouve a voz, fala sobre assuntos que te deixam inteirado do que acontece por lá, resolvemos coisas juntos… tudo isso contribui para te deixar ali vivo”.

O cotidiano da vida em São Paulo, naturalmente, familiarizou a brasileira a uma realidade quase imperceptível. Por momentos os aromas vindos da cozinha e os barulhos de conversa ao chegar em casa não pareciam tão relevantes. Hoje a ideia é outra: “Parece que a gente precisa ficar longe pra saber o quão importante um é para o outro”.

Ainda que para alguns as novas tecnologias sejam sinônimo de meras interações diárias, para os personagens dessa história elas são o resumo de tudo. O consolo em momentos de aperto, a alegria pela manhã, o conforto ao dormir, e a própria esperança de que, mesmo que descubram novos olhares pelo mundo, ao voltar para casa poderão rever aqueles que tanto esperaram encontrar.