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Uma Rota Romântica na Alemanha

Para quem gosta de viajar, a beleza da experiência não está apenas na chegada ao destino, mas em todo o caminho percorrido. Quando a viagem em si já é uma jornada, aproveitar cada segundo fica ainda mais fácil. Os alemães entendem disso como ninguém: a rota romântica, trajeto de 380 km que liga 28 cidades na Baviera, não é apenas o roteiro de viagem mais popular do país, é também um dos passos mais importantes que o turismo alemão deu para se reconstruir após a Segunda Guerra.

No entanto, quem percorre o trecho que vai do rio Meno aos Alpes mergulha em uma narrativa muito mais antiga que o século XX. As cidades preservadas datam da Idade Média, o que faz a rota lembrar muito uma viagem no tempo pela história da Alemanha.

O meio mais popular para percorrer o roteiro costuma ser o carro, incentivado pela excelente infraestrutura das autobahns alemãs, mas as possibilidades são as mais diversas: os turistas podem utilizar os trens que ligam Frankfurt a Munique ou o ônibus exclusivo da rota. Com ele, é possível partir de Frankfurt ou Munique e parar em cada cidade com apenas uma passagem. Como a validade do bilhete é de seis meses, o viajante tem a liberdade de ficar quanto tempo quiser em cada parada.

Mas para quem gosta de ainda mais aventura, é possível fazer a viagem de bicicleta e ter o bônus de passar por uma das mais importantes estradas do Império Romano: a Via Cláudia Augusta. Localizada na parte sul do roteiro, era muito utilizada pelos romanos como rota comercial que ligava a Alemanha à Itália.

Não existe uma determinação de ponto final ou inicial da rota, os turistas escolhem quantas e quais cidades querem visitar. No entanto, alguns pontos se destacam como os mais frequentados devido às suas imperdíveis atrações, especialmente os castelos de tirar o fôlego e as coloridas cidadelas medievais.  Embora o nome rota romântica venha da preferência de muitos artistas e poetas por essas cidades durante o século XIX, período do romantismo, a paisagem inspira a contemplação e o carinho, um cenário perfeito para casais.

A primeira cidade desta lista é Wuzburg, lar do maior monumento barroco alemão, o Residence Palace. Considerado patrimônio cultural pela UNESCO, o castelo é sede da State Gallery e do Hofgarten, um delicado jardim com heranças barrocas e influências do período rococó. É possível fazer visitar guiadas pelo palácio em inglês ou alemão e a visitação ao jardim é gratuita.

Outra marca registrada da cidade é a Festung Marienberg, uma fortaleza medieval que data do século XIII e até hoje domina a paisagem da cidade. Em uma só visita é possível conhecer a fortaleza, o jardim Fürstengarten, o portão Scherenberg e a igreja Marienkirche.

Os visitantes costumam pernoitar em Wurzburg para aproveitar a deliciosa comida da Baviera e a calorosa hospedagem local.  Depois, é hora de seguir viagem para Rothenburg ob der Tauber, uma pequena cidade que é considerada por muitos a mais bonita do trajeto.

Tudo em Rothenburg lembra a Idade Média: suas vielas de paralelepípedo, a muralha decorada com flores, as casas coloridas em estilo enxaimel, os portões e torres. Rotenburg abriga um dos conjuntos arquitetônicos medievais mais bonitos de toda a Alemanha, além de vários museus dedicados ao tema e é também famosa por realizar uma das decorações de natal mais bonitas de todo o país.

A próxima parada, Augsburg, não fica devendo nada às vizinhas quando o assunto é importância histórica. A cidade é lar da família Fugger, que estava entre as mais ricas do mundo na Idade Média e promoveu grandes melhorias no local desde então, como os Fuggerei, o primeiro conjunto habitacional do mundo, criado em 1521 por Jakob Fugger. A prefeitura de Augsburg também é uma grande atração local, impressionando por seu exterior e principalmente pelas atrações interiores, como o Goldener Saal, ou Salão Dourado, cujas paredes e teto são folheados em ouro 24k.

A abadia de St. Ulrich e Afra é outro destaque da cidade, assim como os festivais criados em homenagem a seus ilustres moradores, a família Mozart e o dramaturgo Bertold Brecht. Em todo o ano são abundantes as opções gastronômicas, especialmente nos bares e restaurantes do centro da cidade, que é também a terceira maior da Baviera.

A última parada é Füssen, cidade que ganhou fama mundial pelos castelos ao seu redor.  O mais famoso deles, o Neuschwanstein, serviu de inspiração para o castelo da Cinderela, criado por Walt Disney em Orlando.  Na verdade, seu grandioso projeto nunca foi concluído devido à morte de seu idealizador, o rei Ludwig II da Baviera, que desejava torná-lo o castelo mais bonito do mundo. Seu nome, que significa “novo cisne de pedra” é inspirado nas óperas do compositor Richard Wagner, amigo de Ludwig II.

Hohenschwangau  pertenceu ao pai de Ludwig II e foi onde o rei passou sua infância. O castelo tem vista para o Neuschwanstein e é completamente aberto à visitação, pois todos os seus cômodos estão completos. Mas Füssen oferece ainda mais atrações a seus visitantes.

A cidade também é famosa pela tradição do artesanato e no Altstadt, o centro histórico, os viajantes encontram diversas opções de entretenimento e gastronomia. Lá também está localizada a entrada para a Via Cláudia Augusta, um encanto a mais para os amantes de bicicletas.

Com tantos pontos turísticos para admirar, impossível não se apaixonar pelas belezas da Rota Romântica, um destino de férias que inspira o olhar para a tradição e o esplendor das épocas passadas, mas também convida à fruição do tempo presente. Uma viagem para aproveitar cada momento sem pressa e não esquecer jamais.

Uyuni, o deserto do sal

Como definição geográfica e ecológica, um deserto é reconhecido como qualquer localidade de chuvas irregulares ou escassas, vegetação inexistente, relevo formado pela simples alteração das rochas ao longo do tempo e baixa diversidade de fauna. Como adjetivo, pode ser entendido como ausência total de alguma coisa, ou simplesmente, vazio. Se o Salar de Uyuni se identifica, em partes, com a primeira definição, a segunda já não pode traduzir o significado desse deserto do sal para o povo boliviano.

O local, formado na pré-história, há cerca de 40 mil anos, possui onze camadas de sal, totalizando uma profundidade de 120 metros e impressionantes 10 bilhões de toneladas de sal. São mais de 10 mil quilômetros quadrados de área, que estão 3.656 metros acima do nível do mar. Fora isso, é uma das maiores reservas de lítio, potássio, boro e magnésio do mundo. Por esse motivo, são extraídas anualmente 25 mil toneladas de sal do deserto.

O turismo proporcionado pelo Salar de Uyuni também é de extrema importância para a Bolívia. São milhares de turistas de todo o mundo que visitam a localidade em busca das paisagens únicas que podem ser vistas entre abril e novembro. É nessa época que acontece o degelo das geleiras dos Andes, deixando o deserto do sal coberto de água, fazendo com que ele se transforme em um gigante espelho, confundindo o céu com o horizonte. Lá estão também a Ilha do Pescado e a Ilha Incahuasi, ondem podem ser vistos cactos de até 10 metros de altura e 600 anos de idade. Já as três espécies de Flamingos – Chileno, Andino e James – que podem ser observados em grupos de centenas na colorida Laguna Colorada, completam a extensa lista de atrativos da região.

Segredos Bolonha Escultura Arte Monumento Itália

Os segredos de Bolonha

Viajantes são muito diferentes de turistas. Os viajantes conseguem se transportar através de histórias, fotos, relatos. Os viajantes conseguem enxergar muito além da imagem das paisagens, eles veem aura e história. Por isso a cidade italiana de Bolonha é um prato cheio para eles. Com seus sete segredos muito bem escondidos, entre copos de spritz típicos daquela região, ela cativa e instiga qualquer curioso.

Alguns dos mistérios envolvidos na enigmática cidade são de certa forma engraçados, mas estão bastante longe de serem piadas, já que eles contam muito da trajetória histórica da cidade. O primeiro se esconde em um pequeno pórtico de madeira, em Strada Maggiore. No teto se encontram duas flechas, que, segundo contam, chegaram ali depois de uma suposta traição. O conde, que vivia nas estradas, estava bastante desconfiado de que a Condessa, sua amada, o traía. Enfurecido ele contratou arqueiros para matar o amante.

Com o arco e a flecha na mão os profissionais estavam preparados para cumprir a missão quando, de repente, quem apareceu na janela foi a Condessa nua. Assustados, os arqueiros tentaram desviar o ataque e atingiram o teto do pórtico, que ficava bem acima da sacada. Até hoje ali estão as flechas, marcando esse acontecimento histórico.

Strada Maggiore

Portico Strada Maggiore

Como nada melhor que duas cidades dentro de uma, o segundo segredo é bastante amado pelos visitantes. Na pequena Via Piella de Bolonha se esconde uma mini Veneza. Ali, por meio de um pequeno buraco na parede, é possível ver os canais que tanto lembram uma das cidades mais românticas da Europa. É um toque do charme e da leveza de Veneza com os fortes traços medievais bolonheses. O terceiro é rondado de superstições. Contam que no topo da Torre Asinelle, que fica bem ao lado da famosa torre torta, existe um vaso quebrado escondido, mas não existem evidências fotográficas. Talvez seja tão difícil confirmar a existência disso porque dizem que os universitários, por exemplo, não se formarão se subirem a torre. Para os casais, outra maldição: se subirem juntos o término será inevitável.

Via Piella

Via Piella

O quarto pode ser um prato cheio para quem ama conversas levadas ao pé do ouvido. Na Piazza Maggiore há uma galeria com o teto em forma de abóboda que tem uma estrutura com uma acústica muito interessante. Ao sussurrar em um dos cantos da construção é possível ouvir do outro canto. Há duas possíveis explicações: uma diz que era um truque usado por leprosos para que pudessem se confessar, já que na época a lepra era uma doença atribuída aos pecados cometidos. A outra é a que coloca o local como um ponto em que juízes podiam conversar sem que ninguém pudesse ouvi-los, para evitar que descobrissem qualquer informação sobre os casos.

Piazza Maggiore

Piazza Maggiore

O quinto também surge de um grande recurso de arquitetura, na construção da Fontana del Netunno. A fonte, de grandes proporções, foi toda feita em bronze pelo famoso Giambologna. Na época o projeto do escultor foi considerado uma afronta aos bons costumes e à ética, por causa do tamanho do pênis de Netuno, e o cardeal da cidade pediu para que o artista o retirasse. Giambologna não ficou nada satisfeito com a restrição mas, em vez de afrontar a igreja, ele simplesmente fez com que o pênis só pudesse ser visto de um determinado ângulo. Para vê-lo é preciso se posicionar em um ponto específico, em que a mão na escultura faz uma ilusão de ótica que passou desapercebida por muitos na época, inclusive pelo clero.

Fontana del Netunno

Fontana del Netunno

Mais uma vez as construções carregam um mistério, mas já era de se esperar que isso acontecesse em uma cidade de tanta imponência arquitetônica. É o impressionante número de arcos, 666, que estão dispostos no caminho do centro até o Santuário da Madona de San Luca. Algumas correntes dizem que o número foi uma afronta aos costumes e crenças católicas, porque a contabilização dos arcos que é uma sequência de seis, número conhecido como profano, termina em um santuário. Ninguém nunca conseguiu confirmar se de fato era essa a intenção, mas a quantidade é notável.

Pórtico de São Luca – 666 arcos

Pórtico de São Luca – 666 arcos

O último mistério também tem relação com a Igreja e  já provocou diversas intenções de ataque. Isso porque dentro Basílica de San Petrono existe uma grande blasfêmia contra Maomé. Em uma de suas vinte e duas capelas existe um afresco chamado “Céu e Inferno”, inspirando na obra de Dante Alighieri, com uma pintura de Maomé sofrendo no inferno. É possível ter certeza de que ele é o personagem porque o artista escreveu, em letras discretas, Mohamed ao lado. O fato já desagradou muitos muçulmanos, que tentaram explodir a basílica. Devido às ameaças, o local é protegido por uma equipe do exército local.

Basílica San Petrono

Basílica San Petrono

É por tudo isso, e mais, que a cidade carinhosamente apelidada de Gorda, Culta e Vermelha atrai tantos olhares. É impossível não querer ir até Bolonha para conferir todos esses segredos e desfrutar de uma das cidades mais bonitas e charmosas de toda a Europa. Cheia de história, ela abriga grandes marcos como a primeira universidade do ocidente. Lá se misturam a presença jovem e a arquitetura bastante tradicional, dando um ar que só quem já esteve na cidade consegue sentir.

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